Decisão do juiz Tiago Fernandes de Barros inocenta sete réus que ainda eram julgados pelo incêndio ocorrido em 2019 e que matou 10 jogadores do Flamengo; ninguém foi preso
O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) absolveu sete réus que ainda eram julgados pelo incêndio no Ninho do Urubu, o qual matou 10 jogadores das categorias de base do Flamengo em 2019.
A sentença foi publicada na noite de terça-feira (21) na 36ª Vara Criminal da Comarca da Capital, assinada pelo juiz Tiago Fernandes de Barros. A decisão é em primeira instância e cabe recurso.
Ao todo, 11 pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) pelo caso. Duas delas (o ex-diretor de base Carlos Noval e o engenheiro Luiz Felipe Pondé) tiveram a denúncia descartada pela Justiça ainda em 2021. Na mesma decisão, monitor Marcus Vinícius Medeiros foi absolvido da acusação.
Decisão por “falta de provas suficientes”
O MP-RJ havia pedido a condenação depois de uma instrução criminal que ouviu 40 testemunhas desde 2021. Segundo o MP-RJ, “o episódio, que ficou conhecido como a maior tragédia da história do Flamengo, poderia e deveria ter sido evitado”.
O juiz Fernandes de Barros, no entanto, apontou na decisão de terça-feira que não há demonstração de culpa penal e disse não ser possível estabelecer causa e efeito entre as condutas individuais dos réus e o fato. Ainda segundo Fernandes de Barros, não há provas suficientes que fundamentem a condenação.
O juiz aponta que nenhum dos acusados tinha atribuições diretas sobre a manutenção ou segurança elétrica dos módulos que alojavam os garotos.
Quem são os réus absolvidos pela Justiça
O ex-presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, não constava mais na lista de réus desde fevereiro deste ano. Fernandes de Barros havia acatado um pedido do MP-RJ para a retirada do nome dele do processo, com o entendimento de que o caso prescreveu em relação ao dirigente. O motivo é Bandeira de Mello ter mais de 70 anos (hoje 72, na época da decisão, 71) e não poderia mais ser punido.
Os outros sete ainda respondiam por incêndio culposo (praticado 10 vezes) e lesão corporal (três vezes).
O incêndio no Ninho do Urubu aconteceu na madrugada do dia 8 de fevereiro de 2019, matou 10 jogadores e feriu outros três, entre eles, o capixaba Jhonata Ventura.
(Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)
O fogo, que teria começado em um curto-circuito, atingiu o alojamento em que vivem os atletas da base do clube. No momento em que as chamas começaram, os garotos dormiam. No momento do incêndio, 26 atletas, entre 14 a 17 anos, dormiam no alojamento.
Na época do incêndio, o Ninho do Urubu não tinha alvará de funcionamento, de acordo com a Prefeitura do Rio.
Quem foram as vítimas do incêncio no Ninho do Urubu:
Em clima de festa, o Vitória Futebol Clube recebeu a sua torcida para celebrar os 114 anos do clube e inaugurar a ampliação das arquibancadas do estádio Salvador Venâncio da Costa, em Bento Ferreira, Vitória.
A obra recebeu R$ 2,6 milhões em investimentos e levou dois anos e nove meses para ser concluída, ampliando a capacidade do estádio de três mil para 6,5 mil torcedores sentados.
Para celebrar a data ao lado da torcida, o clube promoveu, na manhã deste sábado (3), um churrasco para os torcedores, em um momento de confraternização no estádio.
O Vitória promoveu um churrasco para a torcida em comemoração aos 114 anos do clube (Foto: Bernardo Mont’Mor/ Folha Vitória)
Obra recebeu R$ 2,6 milhões
O presidente do Conselho Deliberativo do Vitória, Antônio Geraldo Perovano, revelou que o investimento total na ampliação da capacidade do estádio chegou a R$ 2,6 milhões.
Do valor, R$ 400 mil foram utilizados na primeira etapa da obra. Segundo Perovano, o recurso veio da venda de cinco lojas do clube. As duas etapas seguintes foram viabilizadas por meio de doações.
Vitória inaugura nova etapa da arquibancada do Salvador Costa (Foto: Bernardo Mont’Mor/Folha Vitória)
Perovano afirmou ainda que ele e outros dois dirigentes estão entre os maiores credores do clube.
Estádio passa a ter capacidade para 6,5 mil lugares
Com a conclusão da terceira fase da ampliação, o estádio passa de três mil para 6,5 mil torcedores sentados. Segundo o clube, a nova capacidade está dentro das exigências do Corpo de Bombeiros e da legislação vigente.
A ampliação atende a uma reivindicação antiga da torcida, que buscava uma estrutura maior para acompanhar o Vitória em Bento Ferreira, principalmente em partidas de maior público.
Vitória já planeja novas melhorias
A entrega da nova arquibancada não encerra o projeto de renovação do estádio.
Estamos, inclusive, para o ano que vem, pensando em trocar o piso, trocar o gramado todo e também fazer uma parte de uma cobertura, não toda, mas cobrir uma parte onde vai ficar a cabine de imprensa”
Antônio Geraldo Perovano, presidente do Conselho Deliberativo do Vitória
Além disso, Perovano prevê a ampliação dos espaços utilizados para as transmissões das partidas, com a criação de mais dois pontos para permitir a operação nos diferentes lados do estádio.
Sistema de irrigação deve ficar pronto em 60 dias
Enquanto novos projetos estão passando por planejamento, o gramado atual passa por uma intervenção para receber um novo sistema de irrigação. O presidente do clube, Guto Mattos, expicou que toda a tubulação já foi instalada e uma nova bomba foi comprada e colocada no local. Ainda são necessárias as ligações do sistema e a recuperação do gramado.
A previsão apresentada pelo clube é de que o sistema fique pronto em cerca de 60 dias. Nesse sentido, além de melhorar as condições do gramado, a estrutura deve proporcionar economia no consumo de água potável.
Por causa da intervenção, o clube ainda não programou uma partida específica para marcar a estreia da nova arquibancada.
Ídolo comemora nova estrutura
Ex-atacante e ídolo do Vitória, Hércules Cardoso acompanhou a transformação do estádio ao longo dos últimos anos, desde que chegou ao clube, no fim de 1999.
Ex-atacante e ídolo do Vitória, Hércules Cardoso (Foto: Alberto Borém/Vitória FC)
Para ele, a nova estrutura representa uma evolução importante para receber os torcedores.
É muito gratificante ver tudo isso que está acontecendo com o Vitória Futebol Clube. O Vitória preparando um ambiente mais aconchegante para o torcedor, para as famílias que vêm aqui torcer para o nosso clube”
Hércules Cardoso, ex-atacante e ídolo do Vitória
Hércules também relembrou o título de 2006, considerado por ele o momento mais marcante de sua passagem pelo Vitória. Naquele ano, o clube conquistou um título após 29 anos.
Torcida pedia aumento da capacidade
A ampliação também atende a uma reivindicação antiga dos torcedores. João Lauro, torcedor do Vitória, contou que a torcida cobrava há anos o aumento da capacidade do estádio.
Ele lembrou que, em 2006, arquibancadas móveis eram utilizadas para ampliar o espaço destinado ao público. Depois que esse tipo de estrutura teve proibição, segundo João, o Vitória passou a enfrentar dificuldades para disputar decisões em Bento Ferreira.
A gente sempre pedia pra aumentar a capacidade, e, graças a Deus e com muito esforço, conseguimos. Parabéns à diretoria do Vitória por completar a obra”
João Lauro, torcedor do Vitória
Além disso, segundo o torcedor, o Vitória chegou a precisar jogar finais no estádio Kleber Andrade, em Cariacica, por causa da capacidade do estádio em Bento Ferreira.
Diretoria espera estádio cheio
Com a nova capacidade, a diretoria espera aumentar a presença da torcida nos jogos.
O que a gente espera é ver a nossa torcida aqui, lotando o estádio, e com o apoio deles, conseguir dar mais incentivo para novas conquistas dos nossos jogadores”
O Corinthians teve suspenso seu contrato de patrocínio com a Fatal Fans, plataforma de conteúdo adulto gerida pela Fatal Model, em decisão liminar da Vara da Infância e da Juventude do Foro Regional do Tatuapé do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Procurado pelo jornal O Estado de São Paulo, o clube diz que ainda não foi notificado e, portanto, não irá se manifestar no momento.
A liminar se refere a qualquer contrato do Corinthians com empresas responsáveis por plataforma online de conteúdo adulto, vetando exposição, divulgação ou promoção da marca. Também é estabelecido o prazo de 15 dias para retirada ou cobertura da marca nos uniformes, espaços esportivos, canais digitais do clube e outras áreas, além da remoção de links para a plataforma disponibilizados em canais digitais do clube.
Ainda na decisão, foi determinado que o clube adote mecanismos de verificação de idade para restringir o acesso de crianças e adolescentes aos conteúdos do site patrocinador.
Foi considerado “perigo do dano, diante do risco concreto à integridade emocional, à dignidade e ao desenvolvimento sadio de crianças e adolescentes”, já que a marca estava exibida em diversos meios do clube, alcançando “expressivamente” o público infantojuvenil.
A ação civil pública foi ajuizada pelo Ministério Público de São Paulo, e o processo corre em segredo de justiça.
O Corinthians assinou com a Fatal Fans em junho, com acordo válido até 2027, rendendo R$ 22 milhões ao clube. A marca é exibida no calção das equipes masculinas, mas não nas femininas. No time das mulheres, a marca estampava a campanha “Respeita as Mina”.
O acordo prevê renovação por mais 12 meses, elevando o valor a R$ 31 milhões. A parceria visa também financiar modalidades como futebol feminino e basquete, em meio à crise financeira do clube, que possui uma dívida de R$ 2,8 bilhões.
Depois da assinatura da MP das bets, a Fatal Model chegou a fazer uma proposta para ocupar o espaço máster do uniforme corintiano por R$ 120 milhões anuais. Além da decisão judicial, pesa contra essa oferta a possibilidade de a medida provisória cair no Congresso.
A diretoria também não quer prejudicar a boa relação com a Esportes da Sorte. Clube e patrocinadora ainda não definiram qual medida será tomada após o veto às bets. O congelamento do contrato até a definição da situação pelo Congresso Nacional, porém, não está descartado — os parlamentares têm até 120 dias para deliberar sobre o tema.