Contrato firmado durante feira internacional prevê o fornecimento de 15 mil toneladas do fruto e assegura mercado para a produção da cooperativa Amazonbai até 2031
O açaí do Amapá para a China ganhou um novo capítulo com a assinatura de um contrato de longo prazo entre a cooperativa Amazonbai e uma das maiores redes chinesas de distribuição de alimentos. O acordo prevê o fornecimento de 15 mil toneladas do fruto amazônico ao longo de cinco anos, garantindo destino comercial para a produção da organização até 2031.
A negociação ocorreu durante a Sial China 2026, feira internacional de alimentos realizada em Xangai entre os dias 18 e 20 de maio. O evento reúne compradores, distribuidores e representantes do setor alimentício de diversos países, funcionando como uma vitrine estratégica para produtos interessados em ampliar presença no mercado asiático.
Açaí do Amapá para a China ganha contrato de longo prazo
A parceria representa um avanço comercial relevante para a Amazonbai, formada por produtores agroextrativistas do Bailique e do Beira Amazonas. Com a demanda definida para os próximos anos, a cooperativa passa a contar com maior previsibilidade para planejar a colheita, o processamento e a entrega do produto.
O volume negociado será distribuído durante o período de vigência do contrato. A operação coloca o fruto amapaense diante de um dos maiores mercados consumidores do mundo e amplia as possibilidades de internacionalização dos produtos originados na floresta amazônica.
Embora o negócio tenha sido divulgado como a compra de toda a safra, o compromisso comercial se refere à produção da Amazonbai, e não ao conjunto de todo o açaí produzido no estado do Amapá.
Durante o evento, representantes da cooperativa apresentaram as características do fruto, o modelo de produção extrativista e a atuação das comunidades envolvidas na cadeia produtiva. O presidente da Amazonbai, Amiraldo Picanço, destacou que a parceria poderá ampliar a circulação dos produtos da cooperativa e de outras organizações brasileiras no continente asiático.
A participação na feira contou com articulação do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, por meio das Rotas de Integração Nacional. Segundo o governo federal, cerca de R$ 207 mil foram destinados à presença de cooperativas brasileiras no evento.
Eduardo questiona “soberania” em venda de açaí e Pedro Campos rebate
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) questionou, em uma publicação no X na última sexta-feira (31), a venda de 15 mil toneladas de açaí do Amapá para uma empresa chinesa e foi rebatido pelo deputado Pedro Campos (PSB-PE). A troca de provocações ocorreu na plataforma.
Ao compartilhar uma reportagem sobre o acordo comercial, Eduardo ironizou o discurso de defesa da soberania nacional adotado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Ué, ninguém gritou ‘o açaí é nosso’?”, escreveu, em ironia ao discurso de defesa da soberania nacional adotado pelo governo Lula.
Pedro Campos respondeu à publicação relacionando o comentário à atuação de Eduardo nos Estados Unidos e às tarifas impostas pelo governo norte-americano contra produtos brasileiros.
“Depois do tarifaço, os Bolsonaros querem proibir a exportação de açaí?”, escreveu o parlamentar, acompanhado de um emoji de palhaço.

Venda de açaí para empresa chinesa gera embate entre Eduardo Bolsonaro e Pedro Campos.Reprodução / X
Acordo com a China
A negociação mencionada pelos parlamentares foi firmada pela Cooperativa dos Produtores Extrativistas do Estado do Amapá (Amazonbai) com a segunda maior rede de distribuição de alimentos da China.
O contrato prevê o fornecimento de toda a safra da cooperativa durante cinco anos, totalizando 15 mil toneladas de açaí. O acordo foi fechado durante a Sial China 2026, feira do setor de alimentos realizada em maio, em Xangai.
A Amazonbai reúne produtores extrativistas, especialmente famílias ribeirinhas da região do Bailique, no Amapá. A parceria garante a comercialização da produção até 2031 e amplia a presença do açaí amazônico no mercado chinês.