Os representantes das três gigantes do cooperativismo capixaba abriram o ciclo de painéis que fazem parte da programação da Feira Internacional do Café Conilon que teve início nesta quinta-feira (8) e segue até sábado (10)
O próximo salto do café Conilon capixaba não depende apenas de produzir mais. Para ganhar valor e ampliar sua presença nos mercados mais disputados, a cadeia terá de avançar simultaneamente em qualidade, tecnologia, acesso a novos compradores e infraestrutura logística. Esse foi um dos destaques do painel que reuniu as três principais lideranças do cooperativismo cafeeiro do Espírito Santo, nesta quinta-feira (8), em São Mateus, durante a Feira Internacional do Café Conilon – FICC 2026.

No painel “Três Caminhos, Um Propósito: Como o Cooperativismo Capixaba Gera Valor para Produtores, Comunidades e Mercados”, Marcelino Bellardt, CEO da Nater Coop; Luiz Carlos Bastianello, presidente da Cooabriel; e Renato Theodoro, presidente da Cafesul, discutiram os movimentos que devem definir o futuro da cafeicultura capixaba. Mediado por Vinícius Schiavo, analista de Desenvolvimento Cooperativista do Sistema OCB/ES, o encontro reuniu no mesmo palco os três gigantes do cooperativismo estadual para discutir uma questão estratégica para o agro: como transformar a força produtiva do Conilon em mais valor para o produtor e em maior competitividade nos mercados?
A resposta passa, primeiro, pela qualidade. Em um cenário de maior exigência dos compradores, produzir bem deixou de ser apenas uma vantagem e passou a ser condição para acessar mercados mais valorizados. Para Renato Theodoro, presidente da Cafesul, questões ambientais e problemas de qualidade, como café mofado e gosto de fumaça, podem comprometer justamente o esforço de produtores que buscam melhorar a remuneração.
O desafio, segundo Theodoro, é ainda maior para os produtores de montanha, que enfrentam restrições para mecanizar a produção e sofrem mais com a falta de mão de obra. A sucessão familiar também entra nessa equação. Para ele, o futuro exigirá que o produtor combine conhecimento tradicional com tecnologia e novas formas de produzir.
A tecnologia, aliás, aparece como uma das ferramentas para responder a esses desafios. Mas, para Luiz Carlos Bastianello, presidente da Cooabriel, a transformação do campo precisa vir acompanhada de uma mudança de visão sobre o próprio negócio.
Na avaliação dele, os conceitos que orientam a produção atualmente não serão suficientes para os próximos anos. O produtor terá de lidar com mudanças climáticas, escassez de mão de obra e novas exigências do mercado, ao mesmo tempo em que aproveita avanços já conquistados na qualidade do café capixaba. Nesse contexto, Bastianello projeta uma mudança de patamar para o Conilon brasileiro. “Daqui a 10 anos, eu vejo o Conilon como protagonista dos cafés do Brasil”, afirmou.

Para que essa previsão se concretize, porém, o presidente da Cooabriel aponta um fator que vai além da porteira: infraestrutura. A melhoria das rodovias e da logística portuária e aérea será fundamental para reduzir entraves e permitir que a produção capixaba chegue aos mercados com maior eficiência.
O acesso a novos mercados também é apontado por Marcelino Bellardt como uma das principais oportunidades para o futuro. O CEO da Nater Coop avalia que o crescimento da demanda mundial por café abre espaço para o Conilon capixaba, mas a expansão precisa vir acompanhada de uma estratégia para capturar maior valor.
Segundo ele, cafés produzidos em outros países ainda conseguem alcançar maior valorização em determinados mercados. Para mudar esse cenário, o Espírito Santo precisará continuar avançando em qualidade e buscar compradores e destinos capazes de reconhecer o diferencial do produto.
A combinação desses fatores, qualidade, tecnologia, mercado e logística, ganha peso diante da dimensão da cadeia no Estado. O Espírito Santo concentra cerca de 70% da produção nacional de Conilon, reúne mais de 49 mil propriedades produtoras, possui mais de 258 mil hectares cultivados e tem produção estimada superior a 14 milhões de sacas.
Três gigantes, diferentes realidades e um mesmo desafio
A força do painel esteve também na representatividade das cooperativas reunidas. A Cooabriel, sediada em São Gabriel da Palha, é a maior cooperativa de café Conilon do Brasil e reúne mais de 9,7 mil cooperados. A Nater Coop conta com mais de 25 mil cooperados e atuação no Espírito Santo, Minas Gerais e Bahia, atendendo mais de 30 mil produtores rurais. Já a Cafesul, com sede em Muqui, reúne pequenos produtores do Sul capixaba e tem entre seus focos a produção de cafés especiais, sustentabilidade, agricultura familiar e valorização das comunidades produtoras.
São diferentes escalas, territórios e perfis de produção, mas com uma agenda que converge para o mesmo objetivo: fazer o café capixaba valer mais.
Para o curador da FICC, Marcus Magalhães, colocar Cooabriel, Nater Coop e Cafesul lado a lado permite mostrar essa diversidade dentro de uma mesma cadeia.
“Reunir Cooabriel, Nater Coop e Cafesul na FICC é muito simbólico porque estamos colocando no mesmo palco diferentes realidades, modelos de atuação e perfis de produtores que fazem parte de uma mesma cadeia. São cooperativas que têm uma enorme capacidade de gerar valor, levar conhecimento e tecnologia para o campo, abrir mercados e fortalecer as comunidades onde estão inseridas. A FICC tem esse papel de aproximar esses diferentes atores, promover conexões e colocar em discussão os caminhos para que o Conilon capixaba avance ainda mais”, avalia Magalhães.
O futuro desenhado no painel, portanto, não é de uma única solução. É de uma combinação de avanços. O produtor precisa elevar a qualidade, incorporar tecnologia e enfrentar os desafios de mão de obra e sucessão. As cooperativas precisam ampliar o acesso a mercados. E o Estado precisa avançar na infraestrutura necessária para que o café chegue ao destino com eficiência e competitividade.
Realizada até sábado (10), em São Mateus, a FICC 2026 reúne produtores, cooperativas, empresas, instituições, especialistas e compradores em uma programação dedicada a negócios, tecnologia, mercado, sustentabilidade, logística e desenvolvimento regional. Em sua segunda edição, a feira coloca o Conilon no centro das discussões sobre os caminhos do agro capixaba e sobre os fatores que podem determinar sua competitividade nos próximos anos.
Serviço
Feira Internacional do Café Conilon – FICC 2026
Dias: 8, 9 e 10 de outubro de 2026
Local: Área anexa ao Sesc – São Mateus
Entrada: gratuita
Programação: painéis técnicos, rodadas de negócios, experiências de café, Dia de Campo, visita técnica, estandes, gastronomia e música
Programação:
Sexta-feira (09/10)
10h – Os desafios e as oportunidades para o setor da pimenta-do-reino, com Frank Moro e Aureliano Nogueira, BSA
11h – O futuro do mercado, com Marcus Magalhães, especialista em Mercado do Agronegócio e curador da FICC
14h – Hub Portuário e o futuro da logística do ES apresentado por Claudio Melim, Coordenador Comercial do Imetame Logística Porto
15h – Nova ES – Investimentos no Norte do ES
16h – A logística no mercado do café capixaba – Secretaria de Estado de Desenvolvimento (Sedes) / Parklog
18h – Show musical com Anderson Machado
20h – Show musical com Andreska Maciel
Sábado (10/10)
08h – Dia de Campo – acolhimento e café da manhã
08h30 – Visita técnica – conilon e pimentas
11h – Encerramento do Dia de Campo
13h30 – Turismo de Experiência com Ana Paula Machado
16h – Show musical com Tata Gomez
18h – Show musical com Juliano Sant
20h – Show musical com Leco do Acordeon
Programação paralela ao evento
Durante os três dias, além das palestras e painéis, o público contará com praça de alimentação, shows e estandes de produtos relacionados ao universo rural.
>>> Programação sujeita a alteração.