Rumos da Política
Rumos da Política | Outubro — 1ª edição
Publicado
08/10/2026 - 10:49

Por Paulo Roberto Borges
Candidatos na berlinda
O dia D das eleições se aproxima, e o frenesi toma conta dos candidatos de São Mateus às Casas parlamentares. São vários nomes que desejam defender suas pautas que — ao que parece — têm como objetivo maior o desenvolvimento e o bem-estar da população da região.
Alguns são veteranos na disputa, mas continuam repetindo o mesmo discurso e não demonstram consistência em suas bandeiras. Outros, porém, são verdadeiramentedevotos das boas causas. Pelo menos até serem eleitos.

Não podemos esquecer que alguns, mesmo sem qualquer chance real de eleição, têm todo o direito de disputar o pleito. Entretanto, é possível que, supostamente, alguns estejam apenas cumprindo uma função dentro da estratégia partidária para justificar o direito ao recebimento de recursos do fundo eleitoral.
É preciso ressaltar a postura de alguns candidatos que, durante todo o tempo, defendem a necessidade de eleger um deputado “nascido e criado” em São Mateus. Esse discurso, porém, parece valer apenas no período pré-eleitoral. Quando chega a campanha oficial, alguns mudam de posição com a mesma facilidade com que trocam de camisa.
Passam a defender os medalhões da política e aqueles que desfilam pela região apenas em busca de votos. Enquanto isso, os candidatos nativos ficam em desvantagem em uma disputa que exige muito esforço, determinação e coragem para enfrentar a avalanche daqueles que, de certa forma, já chegam com o poder político nas mãos.
Muito se fala que cada povo tem o representante que merece. É uma “sentença” questionável quando levamos em consideração a desproporcionalidade da disputa. Há, ainda, outro agravante: o fato de alguns candidatos locais esquecerem o que diziam anteriormente e se aliarem justamente àqueles que, até pouco tempo atrás, criticavam e
classificavam como “intrusos” no município.

No fim das contas, entre discursos inflamados, alianças de ocasião e promessas de defesa dos interesses da região, cabe ao eleitor separar quem realmente está comprometido com São Mateus daqueles que apenas aparecem por aqui em época de eleição.
Para presidente, senador e governador, essa situação não tem muita sustentação. É natural que os candidatos percorram todo o Estado, até porque não se pode cobrar de quem nunca esteve no poder o mesmo comportamento daqueles que já ocuparam esses cargos.
Diante disso, chega a ser hilário ver alguns vereadores subirem à tribuna para defender determinadas candidaturas, ao mesmo tempo em que menosprezam outras que disputam os mesmos cargos. É dolorido assistir a tantas incongruências e perceber como, muitas vezes, o discurso político muda conforme a conveniência.
Enquanto não houver o voto distrital essas questões e distanciamento do eleitor com o eleito vai persistir.
Só para entender
O que leva um candidato a colocar seu nome em uma disputa eleitoral se, fora do período de campanha, não participa da vida política do município, não se posiciona diante dos principais acontecimentos, não desenvolve uma visão crítica sobre a realidade local, não contribui com ações comunitárias e sequer procura conhecer a história, os problemas e as principais demandas da população?
Esse tipo de candidato pode ser comparado ao que, na política, chamamos de “pastel de vento”: por fora, parece ter conteúdo; por dentro, quase nada.
Mesmo que, por uma dessas ironias da política, consiga se eleger, o risco é tornar-se apenas mais um ocupante de cargo público, sem representatividade efetiva e sem compromisso permanente com a comunidade. Na prática, pode transformar o mandato em um emprego de quatro anos.
Encerrado o mandato, desaparece novamente do cenário político e, quando chega a próxima eleição, retorna com a mesma cantilena, tentando convencer os eleitores — sobretudo os desavisados — de que, desta vez, será diferente.
A política, porém, exige mais do que aparecer de quatro em quatro anos. Exige participação, conhecimento da realidade, compromisso com a comunidade e disposição para ouvir, fiscalizar, propor e defender os interesses da população.
Temos, sim
Fazia tempo que a população de São Mateus não tinha tantos motivos para comemorar o aniversário da cidade.
Foram oito anos marcados por muita pluma, lantejoulas, ilações, irresponsabilidade com a coisa pública, episódios que resultaram em investigações e ações da Polícia Federal, omissões e, em determinados momentos, pela submissão de parte dos “nobres” edis. E por aí vai.
Hoje, depois do chamado furacão “danielesco” e de seus desdobramentos, o cenário mudou completamente. O cidadão percebe que a cidade está melhor cuidada, que a esperança voltou e que existe, finalmente, alguém à frente do município disposto a administrá-lo com zelo, responsabilidade e compromisso com o interesse público.
São Mateus ainda tem muitos desafios pela frente, mas há uma diferença importante: a população voltou a enxergar perspectivas e motivos para acreditar no futuro.
Portanto, o mateense tem, sim, motivos para comemorar os 482 anos de São Mateus.
___________

• Nunca seremos uma grande nação enquanto continuarmos valorizando o supérfluo em detrimento daquilo que é essencial para a prosperidade do País. A República brasileira, em muitos aspectos, ainda parece não ter conseguido avançar na proporção das expectativas criadas ao longo de sua história. Há quem considere que o período monárquico apresentou avanços que a República ainda não conseguiu superar em determinados campos.
• Parceria entre Legislativo e Executivo é necessária para o funcionamento da administração pública, mas não pode ser confundida com submissão, silêncio ou omissão. Cabe ao vereador apoiar o que for de interesse da população, mas também fiscalizar, questionar e cobrar quando necessário.
• Mandato eletivo não deve ser encarado como prêmio pessoal ou emprego temporário. É uma responsabilidade pública concedida pelo eleitor e deve ser exercida com participação, transparência e compromisso com a comunidade.
* São Mateus é uma cidade de sociedade predominantemente conservadora, mas que, no momento do voto, demonstra não se deixar conduzir necessariamente por posições ideológicas.
Por Paulo Roberto Borges
Um fato legítimo, porém, inusitado
O prefeito de São Mateus, Marcus Batista (Podemos), viajou para fora do município e também do país. Em seu lugar, assumiu interinamente a Prefeitura o presidente da Câmara Municipal, Wanderlei Segantini (MDB), uma vez que a vice-prefeita está registrada na Justiça Eleitoral para disputar uma vaga de deputada federal.
Na prática, tudo isso é pura formalidade, até porque a mudança temporária não altera a condução administrativa do município. Às vezes, o vice pode programar alguma ação para marcar sua passagem pelo Executivo, mas, em geral, sem mexer na estrutura ou no planejamento já definido pelo titular da Prefeitura.
Wanderlei Segantini, ocupando provisoriamente a cadeira de prefeito, não fará nenhum milagre. Afinal, o titular, Marcus Batista, já vem fazendo o seu: tirar o município da situação de terra arrasada protagonizada pelo “gestor” anterior.
Com relação à mudança temporária na presidência da Mesa Diretora da Câmara Municipal, pouca coisa deve mudar, exceto pela dinâmica na condução das sessões, dependendo do período em que permanecer a alteração na cadeira de presidente daquela Casa de Leis.
Wan Borges (PSB) tem estilo próprio e poderá conduzir os trabalhos de maneira — talvez — mais opinativa em seus pronunciamentos, como fazem outros presidentes de Legislativos. É esperar para conferir.
Os candidatos de São Mateus
As campanhas começaram. O eleitor, porém, quase não percebeu esse início. Há uma descrença generalizada em relação à política e a muitos de nossos representantes. Essa percepção, aliás, não é exclusividade de São Mateus: ocorre em nível nacional.
No município, temos candidatos a deputado estadual e federal. Alguns são calejados nas disputas eleitorais; outros, estreantes no jogo político da Assembleia Legislativa e da Câmara dos Deputados. É justamente nessa hora que ressurgem os “entendidos” e até os especialistas em política, fazendo previsões e julgamentos sobre quem tem ou não chances de conquistar a vitória nas urnas.
Para deputado estadual, São Mateus colocou no tabuleiro político os nomes de Rodrigo Cozivip (MDB), Carlinhos Lyrio (Agir), Isamara da Farmácia (União Brasil), Branco da Penal (PL). Herickson (PV) e Manú do Povão (Rede).
Na disputa por uma cadeira na Câmara dos Deputados, aparecem Freitas (PSB), Raquel Rocha (União Brasil), Clóvis Araújo (Avante) e Francisco Lera (Psol). Pelo menos esses são os nomes que estão em evidência e são de conhecimento do eleitorado mateense.
Existe, no município, uma corrente de pensamento que defende que os eleitores priorizem candidatos da própria cidade, em detrimento dos de fora. A exceção, evidentemente, ficaria para as disputas ao Senado, ao Governo do Estado e à Presidência da República.
A justificativa dos defensores do chamado “voto nativo” é que os recursos poderiam chegar mais rapidamente e em maior volume por meio das emendas parlamentares. O argumento tem fundamento, mas é preciso observar que um candidato da terra não necessariamente fará o jogo em favor dos interesses locais. A história mostra que alguns acabam atuando em benefício de grupos, grupelhos e camarilhas.
Além disso, nem todos os candidatos se informam ou acompanham de maneira adequada as questões estaduais, nacionais e até locais. Alguns preferem permanecer restritos à chamada “bolha mateense”, como se os acontecimentos que ocorrem fora de sua área imediata de atuação não tivessem importância. E política exige justamente o contrário: conhecimento amplo, visão de conjunto e capacidade de compreender que as decisões tomadas em outras esferas também interferem diretamente na vida do município.
Política não é profissão. Política não deve ser instrumento para servir a interesses particulares, mas, sim, para servir ao cidadão, ao Estado e ao país.
O problema é que, em muitos casos, a política virou “boquinha”, “mamar na teta”, fazer negócios, levar vantagem e, em algumas situações, até praticar atos pouco republicanos para se perpetuar no poder. Há quem minta, se locuplete e faça o jogo de grupos que estão muito distantes dos verdadeiros interesses da população.
Por isso, o eleitor precisa ser criterioso na hora de escolher seus representantes. O voto é uma das poucas ferramentas que o cidadão tem para premiar quem trabalhou pelo bem coletivo e retirar do poder quem não correspondeu às expectativas. Se a urna eletrônica brasileira não tiver “vida própria”, como alguns insinuam de maneira irresponsável, o eleitor tem, sim, a possibilidade de eleger exatamente aquele em quem verdadeiramente votou. A escolha, no fim das contas, continua sendo do cidadão.
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Prole – O boneco inflável pichuleco, representando o Lula por ocasião da sua prisão, agora deu cria. Nasceu o Pichulequinho, que seria o Lulinha inflável.
Descoberta – O vereador Vilmar do Seac (PSD) disse que a população é culpada e deve ser multada caso jogue lixo nas ruas, mesmo depois do trabalho da Prefeitura fazer a coleta do lixo e entulho.
Volta – Parecia que o vereador Raphael Barboza tinha baixado as armas contra a administração. Ledo engano. Na última sessão de agosto, desta segunda-feira (31). Ele voltou com força total. Bateu firma na administração do prefeito Marcus Batista. Pelo jeito o Barboza estava apenas repondo seu arsenal.
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